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Instituto Alarme

I - São José do Rio Preto-SP, São José do Rio Preto-SP2 de setembro de 2021Lele

Fachada do Alarme, em fotografia de Néia Rosseto, feita em 13/09/2019, às 13h56

O Instituto Alarme foi fundado oficialmente em 1 de setembro de 1951, porém só foi instalado oficialmente em 8 de outubro de 1953. A história da instituição tem muitas lacunas e os jornais antigos mostram que ela teve origem em 20 de outubro de 1929, em uma reunião presidida pelo juiz Mário Guimarães, entre 13 e 15 horas, no Fórum, quando foi fundada a Associação Protectora da Infância, rapidamente rebatizada pela imprensa de A.P.I.. Estiveram presentes o promotor Álvaro de Toledo Barros, os ex-prefeitos Alceu de Assis e Luiz Amâncio Faria Motta e vários advogados, como Luiz Nunes Ferreira Filho, Assonipo de Sarandy Raposo, Antonio Luís da Câmara Leal, João Augusto de Pádua Fleury e Arlindo Carneiro, e João Camarero, Mário Clapier Urbinati, José Spínola Castro, capitão José de Castro, Francisco Duarte da Fonseca e Enoch de Moraes e Castro. O juiz Guimarães explicou aos presentes que a fundação da instituição cumpria a legislação estadual e que a Secretaria de Estado da Justiça oferecia “todo apoio material e moral para a nova sociedade”(1). A primeira diretoria foi formada por Álvaro de Toledo Barros, presidente; Sarandy Raposo, vice-presidente; Alceu de Assis e Pádua Fleury, secretários, e José Spínola Castro, tesoureiro.
A primeira reunião da diretoria aconteceu dois meses depois, em 31 de outubro, quando se decidiu formar uma comissão de propaganda para dar publicidade à A.P.I.. Para integrá-la foram convidados Jacintho Angerami, Nelson da Veiga, Alceu de Assis e os redatores dos jornais A Notícia, Manoel dos Reis Araújo, e de O Município, Olympio Rodrigues. Também decidiu-se correr um “livro de ouro” para angariar fundos e mais uma comissão

foi formada, com o prefeito Cenobelino de Barros Serra, Augusto Medeiros, João Camarero, Sarandy Raposo e Alceu de Assis. Outra decisão foi a realização de um grande evento cultural a ser levado a efeito pelas jovens Eponina Jalles, Emma Angrisani, Zuila Barbosa Lima, Amnéres Bertellini e Celeste Almeida e algumas senhoras da alta sociedade rio-pretense.

Reportagem de A Notícia, publicada em 11 de junho de 1944, cobra ação do governo estadual para a finalização das obras

Em 14 de novembro, ainda em 1929, o jornal A Notícia publicou o estatuto da A.P.I. que, em seu artigo primeiro definia os três objetivos principais: a) um abrigo provisório; b) organizar e manter um estabelecimento para educação e ensino profissional destinado aos menores do sexo masculino abandonados ou pervertidos; c) um estabelecimento nas mesmas condições para menores do sexo feminino; d) uma creche para crianças de ambos os sexos que estiverem em estado de abandono, ou forem filhos de pais reconhecidamente pobres. Também neste dia, foi realizado um “chá dansante” nos salões do Rio Preto Automóvel Clube “ricamente ornamentados para receber aqueles que de coração vão se alegrar em benefício da infância desamparada desta terra”.
No dia seguinte, às 16 horas, houve a cerimônia de lançamento da pedra fundamental para a construção do primeiro prédio da A.P.I. em terreno doado por Luiz Amâncio Faria Motta, na quadra 14, da Vila Esplanada (Boa Vista). A cerimônia teve início às 16h30 ao som da banda musical do maestro Raphael Quaranta e discurso do juiz Mário Guimarães. O padre Joaquim Manoel Gonçalves (que ainda não era monsenhor) deu a bênção, sobre a qual foi colocada uma urna com “moedas, selos e estampilhas com a data do dia e exemplares dos jornais A Notícia e Diário de S. Paulo.” Alceu de Assis fez o discurso oficial e Pádua Fleury redigiu a ata do evento(2).
Domingo, dia 1 de dezembro, com o sucesso do chá dançante, a diretoria foi surpreendida com ofícios de três instituições se colocando à disposição para sediar novos eventos: a Sociedade Jovens Sírio, a União dos Empregados no Comércio e a Loja Maçônica Cosmos. Para promover um festival literário musical foi formada uma nova comissão por Laís Guimarães, Sylvia D. Nunes Ferreira, Maria Eulina Barradas Rocha e a jovem Eponina Jalles, e por Jacintho Angerami, Floriano de Lemos, Aureliano Mendonça e Alceu de Assis.
Pelo menos no jornal A Notícia houve um verdadeiro “apagão” no ano de 1930 sobre as ações da A.P.I. Apenas no dia foi publicado balancete assinado pelo tesoureiro José Spínola Castro, apontando uma receita e despesa no valor de 11.455$900 (onze contos, quatrocentos e cinquenta e cinco mil e novecentos reis). Pelo detalhamento do balancete, a obra estava ainda por concluir. Em 25 de outubro de 1931, A Notícia publica “Um Apelo”, assinado pelo leitor J. Vantuil de Brandão, cobrando da sociedade a construção de um asilo “que possa recolher as crianças sem amor de ninguém.” A publicação mostra que a obra da A.P.I. não chegou a ser inaugurada e que o assunto fora esquecido.
Com a queda da Bolsa de New York em 1929, a Revolução de 1930 e a Revolução Constitucionalista de 1932 muita coisa mudou na vida das pessoas. O empobrecimento recrudesceu, fortunas mudaram de mãos, muitos atores políticos deixaram a cena e projetos individuais e coletivos foram abandonados. Assim aconteceu com a A.P.I. Não sabemos o que aconteceu com o terreno doado na Vila Esplanada, mas em 1938 a instituição reapareceu no jornal A Notícia, na edição de 29 de novembro, informando que o saldo positivo do concerto do pianista Adolpho Tabacow, realizado no dia 3, no início do mês, fora doada à A.P.I.. Depois houve mais um hiato de seis meses até que, em 12 de maio de 1939, os juízes Augusto Nery e Eduardo Silveira da Mota convocam “membros subsistentes da antiga diretoria”, antigos associados e entidades culturais, beneficentes, cívicas e sociais para reunião no dia 18, às 15 horas, no Fórum, para eleição da nova diretoria da A.P.I. e retomada da “creação do abrigo”.
Sob a presidente de Silveira da Mota, a mesa foi formada pelo juiz Augusto Nery, o delegado regional de Polícia, Leopoldo Mendes da Costa; o presidente da OAB, Jacintho Angerami; Carlos Bittencourt, delegado adjunto de polícia; monsenhor Adauto Rocha, vigário da paróquia; Alceu de Assis e Olímpio Rodrigues, secretário da reunião. Por aclamação foi eleita a nova diretoria tendo como presidente o promotor Mário Moura Júnior, monsenhor Adauto Rocha como vice-presidente; Synésio de Mello e Oliveira e Olímpio Rodrigues, secretários, e José Spínola Castro, tesoureiro. Por iniciativa de Mançor Daud foi feita uma coleta para arrecadar 1:120$000 (um conto e cento e vinte mil réis) para cobrir o saldo devedor da antiga diretoria(3).
As obras tiveram início em 1941, em uma chácara existente na saída para Borboleta (Bady Bassitt), porém em 4 de junho de 1942, em extensa reportagem sobre o aniversário de um ano do governo do interventor estadual Fernando Costa, A Notícia cobrou a ajuda prometida para a conclusão das obras do Abrigo de Menores(4). Em 19 de junho de 1944, foi realizado no Cine Teatro Rio Preto um espetáculo de música clássica, com o maestro Armando Lameira (ex-aluno do maestro Carlos Gomes) com renda revertida para o Abrigo. A iniciativa da organização foi de Lélia Furquim, presidente regional da Legião Brasileira de Assistência – LBA com auxílio da Associação Comercial, Industrial e Agrícola – ACIA (atual ACIRP), Associação Rural e Rotary Clube.
No dia 5 de julho de 1946, as obras ainda não estavam concluídas, mas a diretoria já estava orçando a compra de mobiliário para os 452 cômodos que deveriam abrigar de 300 a 400 “rapazes aos quais serão ministradas aulas teóricas e cursos práticos diariamente por professores religiosos” (A Notícia, edição nº 5.940). Em maio de 1948, a diretoria faz campanha para arrecadar fundos para a instalação de água e luz e finalização da obra, elencando nos jornais o nome dos doadores como o Rotary Clube e a Casa Jamal que doaram 2 mil cruzeiros cada; Octávio Leão Facio, Luiz Duarte da Silva e major Leo Lerro que doaram 1 mil cruzeiros cada; Alexandre Tambury e Felício Marchetti entraram com 500 cruzeiros cada.
Finalmente, após 19 anos de idas e vindas, o Abrigo de Menores Adhemar de Barros (não há informações de como o abrigo foi batizado com o nome do governador Adhemar de Barros) começa a funcionar “a título precário”, em 27 de maio de 1948, na rua Siqueira Campos, nº 506, com 30 crianças e 200 crianças cadastradas aguardando vaga. As obras do Abrigo ainda aguardam instalações elétricas que já estavam adquiridas em São Paulo pela diretoria, agora presidida por João Fava Netto, coadjuvado por Hélia Carpes Neves, comissária de menor, que receberam auxílio, com Francisco Curti e Cenobelino de Barros Serra encabeçando as doações, o primeiro com 5 mil e este 3 mil cruzeiros. No total, cerca de 110 cidadãos e empresas doaram 126.900,00 para finalizar as obras, segundo balancete publicado por A Notícia, na página 4, 20 de junho de 1948 com o nome a quantia de cada doador.
No dia 23 de agosto de 1948, houve uma reviravolta nesta história. Em uma assembleia geral realizada na sede da Sociedade de Medicina e Cirurgia, 14 dos 19 fundadores do Abrigo, decidiram entregar em doação ao poder público (leia-se Prefeitura Municipal) o terreno e as obras. O prefeito Cenobelino e a diretoria concluíram que se deveria fundar uma nova instituição, com novos estatutos e novos integrantes. Fundou-se a Casa dos Menores de Rio Preto, com uma nova diretoria, com mandato de dois anos, que foi formada por Alceu de Assis, presidente; João Vicente Aiello, vice-presidente; Dante Mantovani e Vicente Filizolla, secretários; João Sícoli e Antenor Haikel, tesoureiros. Depois de organizada a documentação, em 25 de novembro de 1949, a Prefeitura entregou o terreno e as obras, agora com caráter municipal, à Casa do Menor. Entretanto, no dia 10 de março de 1950, um relatório do prefeito Cenobelino de Barros Serra, informava aos vereadores que o Abrigo (Casa dos Menores) estava abandonado e sem uso por causa de uma determinação judicial. Menos de dois meses depois, em dia 1 de maio, a Casa dos Menores voltou a funcionar e, segundo o presidente Alceu de Assis, em 12 de janeiro de 1951, contava com 19 menores abrigados. Em 7 de março de 1951, a Notícia informa que está funcionando uma escola mista municipal na Casa dos Menores, com 40 alunos, sendo 12 abrigados e 28 residentes na vizinhança. Em 21 de junho de 1951, o juiz Dimas Rodrigues de Almeida faz uma intervenção na administração da Casa dos Menores, troca os administradores e determina que os comissários de menores, José de Castro Duarte e Hélia Carpes Neves fiscalizassem a instituição. Em 26 de junho, Alceu de Assis convoca para o dia 28 uma assembleia extraordinária para preencher os cargos vagos na diretoria. Não temos informação sobre os nomes dos novos integrantes.
Em 26 de agosto de 1951, A Notícia informa, pela primeira vez, sobre criação do Consórcio Intermunicipal da Alta Araraquarense para Assistência à Infância, comentando que o advogado Olímpio Rodrigues está preparando um plano de ação para agrupar os 27 municípios da região “para resolver em bases práticas e seguras o problema da assistência à infância”. Representantes de 17 municípios participaram da reunião, no dia 1 de setembro, às 14 horas, no Fórum de Rio Preto, com o juiz Dimas Rodrigues de Almeida, e fundam o Consórcio Intermunicipal da Alta Araraquarense para Assistência à Infância, conhecido popularmente como Alarme. Para levar o projeto adiante foi formada uma comissão central integrada por Waldemiro Naffah, Olympio Rodrigues, Philadelpho Gouveia Neto, Antonio dos Santos Galante, Euphly Jalles, Leonardo Gomes e J. E. de Lima Neto. Participaram os prefeitos Joaquim Pereira Rosa, de Buritama; Luiz Cavarzan, de Cedral; Benedito Carlos Stachissini, de Cosmorama; Rubens Spínola do Amaral, de José Bonifácio; Lavínio Luchesi, de Monte Aprazível; Pesro Pedrosa, de Nhandeara; Reinaldo de Jesus, de Neves Paulista; Luiz Antônio Fleury, de Nova Aliança; Nelson Lobo, de Nova Granada; Adhemar Cunha, de Paulo de Faria; Domingos Sinibaldi, de São José do Rio Preto e Miguel Chaddad, de Uchoa. Os prefeitos de Mirassol, Planalto, Potirendaba e Tanabi enviaram representantes. O filantropo e fazendeiro de Mirassol, Cândido Brasil Estrella foi eleito primeiro presidente do Consórcio com um conselho consultivo formado por Olímpio Rodrigues, Ivan Gonçalves Ferreira, Waldemar Alves da Costa, Waltrudes Baraldi e William Assad.
Para se tornar oficial e consolidar a criação do Consórcio, cada município precisou da aprovação de sua Câmara Municipal. A primeira a aprovar foi a de Cedral. Paralelamente, em 19 de dezembro, foi reeleita a diretoria a Casa dos Menores, encabeçada por Alceu de Assis, para o mandato de 1952 a 1953. No dia 13 de agosto de 1953, na Câmara Municipal de São José do Rio Preto, reuniram-se prefeitos dos 27 municípios, selando oficialmente a fundação do Consórcio, marcando a posse solene da diretoria para 8 de outubro, no Cine Teatro Rio Preto, com a presença do governador Lucas Nogueira Garcez. Consta que o jornalista Assis Chateaubriand assinou um artigo, publicado no jorna Diário de São Paulo, um dos maiores da sua rede, elogiando o esforço dos rio-pretenses.
Em 21 de abril de 1954, Alceu de Assis publica um artigo em A Notícia, informando que a Casa dos Menores ainda existe e continua funcionando, sendo ela responsável pela administração e pela admissão e retirada dos meninos. Ele diz que ao Consórcio foi facultado que esse “instalasse sua sede no prédio construído pela Casa” e fizesse a “simplesmente a manutenção dos meninos assistidos”, conforme o termo assinado pelas partes(5). Todavia, quatro meses depois, a assembleia dos prefeitos realizada em 31 de agosto de 1954, aprovou proposta do engenheiro agrônomo Nelson Pires de Albuquerque de transformar a chácara do Consórcio, em 1955, em um campo experimental agrícola. Isto é, já não se falava mais em Casa dos Menores. Ainda em 1954, em dezembro, o Consórcio recebe a visita de Milton Arantes Dix, do Serviço Social do Estado. Assembleia de 1956, presidida por Yolando de Castilho, revela que as despesas estão sendo custeadas exclusivamente com recursos federais e que a parte dos contrapartida dos municípios está sendo usada apenas para manutenção. Isto demonstra que a Casa dos Menores foi literalmente substituída pelo Consórcio Intermunicipal.
Em 1992, o Consórcio reforma seu estatuto e é transformado em uma sociedade civil, sob a denominação de Associação Lar de Menores – ALARME, passando a atuar como organização não governamental e sem fins lucrativos, eliminando o sistema de internato, passando a atuar com regime de semiabrigo, prestando assistência  às crianças de 7 a 16 anos, das 7 às 14 horas, de segunda a sexta-feira.
Seu primeiro presidente, a partir da fundação do Consórcio, foi Cândido Brasil Estrella, de 1953 a 1961; Antonio dos Santos Galante, de 1961 a 1968; Antonio Tarraf (Zaia), de 1968 a 1971; José Carlos de Carvalho, de 1971 a 1973; José Vitta Medina, de 1973 a 1975 e de 1981 a 1983; Antonio Carlos Parise, de 1975 a 1977; Paulo Norberto Arruda de Paula, de 1977a 1979; Raul de Castro, de 1979 a 1981; Waldemar Brentan, de 1983 a 1985; Paulo Ikio Saito, de 1985 a 1987; Claudio Tarraf, de 1987 a 1989; Ana Maria Lorga, de 1989 a 1990; Walter Mendes, de 1991 a 1992; Aristides Ullian, de 1993 a 1995 e de 2001 a 2003; Creuza Manzalli Toledo, de 1995 a 1997; Flávio Amaro da Silva, de 1997 a 1999; Kátia Cinira Paro Silva, de 1999 a 2001.


Fontes:http://quemfazhistoria.com.br; (1) A Notícia, 1ª página, edição nº 1196, de 21/10/1929; (2) A Notícia, 1ª página, edição nº 1216, de 17/11/1929; (3) A Notícia, 1ª página e pág. 6, edição nº 3.907, de 20/05/1939; (4) A Notícia, 1ª página e pág. 6, edição nº 4.794, de 04/06/1942; (5) A Notícia, página, edição nº 8.165, de 21/04/1954

 

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