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Hospital de Base

H - São José do Rio Preto-SP, São José do Rio Preto-SP8 de outubro de 2021Lele

Fachada moderna do Hospital de Base, em fotografia de 24/06/2021

Em 30 de julho de 1953, o médico Oscar de Barros Serra Dória reúne um grupo de médicos e de investidores para, numa assembleia societária, constituir uma sociedade anônima com a finalidade de construir e colocar em funcionamento um grande e moderno hospital ao qual foi dado o nome de Hospital das Clínicas. A empresa Hospital das Clínicas Rio Preto SA foi constituída pelos acionistas Oscar de Barros Serra Dória, Crescêncio Centola, Francisco Sizenando Teixeira Jr., Gumercindo Sanches Filho, Hélio Cherubini, José Custódio Correa, José Mello Mendes, Linneu de Alcântara Gil, Lupércio Moreira, Milton Ferreira Dias, Radovir Antonio dos Santos, Raimundo Castelo Branco e Vicente de Paulo Barbosa. Dias depois, ainda em agosto, formou-se uma comissão para cuidar do empreendimento, agregando novos nomes como Alceu Cardoso Machado, Daud Jorge Simão, Eduardo Nunes da Silva, João Tajara da Silva, Joaquim Estrella Maia, Nicolau Raduan e Synésio de Mello e Oliveira.
Com projeto elaborado pelo engenheiro Odair Pacheco Pedroso, o mesmo que havia projetado o Hospital das Clínicas de São Paulo, as obras que tiveram início em 1954. Dória e os fundadores queriam queria inaugurar o prédio três anos depois, em 1957, mas apesar dos esforços, faltaram os recursos financeiros e, em 1958. as obras foram paralisadas.
Em 14 de maio de 1960, o Diário da Região publicou em primeira página, um plano para resolver duas questões: a retomada das obras do Hospital das Clínicas e o funcionamento da Faculdade de Medicina. O plano, organizado pelo advogado Vicente de Paulo Barbosa, juntamente com o médico José Arroyo Martins e anuência do provedor, Wenceslau Botelho, previa que o governo estadual faria uma doação de 200 milhões à Santa Casa. Ela repassaria 20 milhões para os acionistas e o restante seria usado para a conclusão das obras do hospital. Após finalizadas, a Santa Casa se mudaria para o prédio novo e assumiria também a condição de escola de base para o funcionamento da futura faculdade. E mais, com a mudança da Santa Casa, a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – FAFI passaria a funcionar no prédio desocupado na Boa Vista. No escopo desse projeto definiu-se também a demolição do Grupo Escolar Cardeal Leme e a construção de um “Palácio da Justiça” e de uma Unidade Sanitária Polivalente onde funcionava a Cadeia Pública — no Castelinho da rua General Glicério com Delegado Pinto de Toledo.
Em fevereiro os planos já estavam alterados. O governo estadual entendeu que 100 milhões de cruzeiros eram suficientes para concluir as obras. Assim, o Estado entraria com 20 milhões para pagamento aos acionistas e 60 milhões para a Santa Casa em três parcelas iguais. Caberia à Santa Casa entrar com outros 40 milhões. Em maio houve outra informação, também do Diário da Região, informando que no dia 25 o governo iria liberar 40 milhões de cruzeiros “para que a nossa Santa Casa possa adquirir o magnífico patrimônio do Hospital das Clínicas e reiniciar as obras de construção daquele grande nosocômio, transformando-o num Hospital de Base que será um dos orgulhos da nossa terra”. No dia seguinte o jornal deu conta de que o governo havia liberado apenas a metade do dinheiro prometido. Em 8 de junho, os acionistas já haviam recebido 10 milhões em reembolsos. Pelo menos três acionistas, João da Silva Bastos, Horácio Pereira Campos Vergueiro e Ana Maria Gonçalves doaram o valor de suas ações à Santa Casa.
No dia 29 de setembro, a região recebeu a visita do secretário estadual de Saúde, Fauze Carlos, com direito a homenagens e banquete no Rio Preto Automóvel Clube. Ele visitou as obras do futuro Hospital de Base e entregou à Santa Casa os 20 milhões prometidos. Um ano depois, a cidade recebeu outro secretário de Saúde, desta vez Zeferino Vaz, em 15 de setembro de 1963, também prometendo liberação de verbas para concluir as obras. Mais um ano se passou e as obras continuaram inacabadas.
Em 15 de abril de 1962, aproveitando uma visita do governador Carvalho Pinto, que foi ao Hospital das Clínicas, ficou acertado que o governo estadual repassaria uma verba para a Santa Casa adquirir o Hospital das Clínicas, reembolsar os acionistas e depois entregar o terreno e o embrião do hospital à futura Faculdade de Medicina. Somente em 9 de dezembro, durante a visita do presidente João Goulart à cidade, o governador oficializou uma doação de Cr$ 60 milhões ao hospital. Dois anos depois, em 27 de dezembro de 1964, José Arroyo Martins, Oscar de Barros Serra Dória, Raul de Aguiar Ribeiro e Edson Gomes foram recebidos pelo governador Adhemar de Barros para tratar de liberação das verbas. Agora é a inflação que prejudica os investimentos. Em 24 de agosto de 1965, o deputado José Jorge Cury anuncia mais uma liberação de verbas para o hospital, afirmando que, com isso será possível concluir as obras e permitir um trabalho político mais intenso em favor da implantação da Faculdade de Medicina.
Nos meados de 1966, em 22 de junho, o Diário da Região informa que o ministro da Saúde, Raimundo Brito, havia aprovado repasse de 50 milhões para as obras do hospital porém, em 27 de novembro, A Notícia trouxe informações de José Arroyo Martins de que as obras do hospital ainda iriam levar mais um ano. No seguinte, em 5 de janeiro de 1967, o hospital ainda estava em obras, e recebeu do governo federal uma verba de Cr$ 50 milhões via Ministério da Educação, segundo o provedor da Santa Casa, José Arroyo Martins, informando que aguardava a liberação de outra verba estadual, no mesmo valor, a ser repassada pelo Conselho Estadual de Assistência Hospitalar.
Somente em 17 de junho de 1967, em uma reunião na Câmara Municipal, surgiu a Fundação Regional de Ensino Superior da Araraquarense – FRESA (atual FUNFARME) para ser a mantenedora do Hospital de Base que se transformaria em hospital-escola da Faculdade Regional de Medicina. O caráter regional da FRE$SA se deu por conta da adesão dos municípios de São José do Rio Preto, Mirassol, Monte Aprazível Potirendaba, Ibirá, Cedral, Guapiaçu e Uchoa. Neste mesmo dia, o professor Eufrásio de Toledo, da Faculdade Toledo, entregou à Fresa o terreno e o pavilhão da faculdade e do hospital que lhe havia sido repassado por acordo com a Santa Casa.
No dia 2 de novembro ainda de 1967, a imprensa informa que o governador Roberto Costa de Abreu Sodré prometeu liberar Cr$ 480 milhões para a conclusão das obras, enquanto José Arroyo Martins, provedor da Santa Casa, anunciava a compra de equipamentos médicos na Alemanha Ocidental, da Siemens, na ordem de Cr$ 230 milhões, para o hospital. Ainda em obras, em 12 de junho de 1967, o Hospital de Base começou a funcionar, disponibilizando 64 leitos à população.
Sem acreditar que a faculdade e o hospital pudessem sobreviver, redigiu-se um acordo de comodato com duração de 30 anos, em 1 de maio de 1970. Por que comodato? Se os projetos do hospital e da faculdade não vingassem, o terreno e edifícios seriam incorporados ao patrimônio da Santa Casa. Assinaram este acordo o provedor da Santa Casa, Paulo Macedo Garcia e o presidente da FRESA, Daud Jorge Simão, tendo como testemunhas Oscar de Barros Serra Dória, vice-provedor da Santa Casa; Antonio Roberto Ismael, diretor clínico da Santa Casa; Odair Pacheco Pedroso, coordenador da Assistência Hospitalar do Estado de São Paulo; Raul de Aguiar Ribeiro, diretor da FARME; Emílio Antonio Francischetti, diretor de Medicina da FARME e Adail Vetorazzo, prefeito
Entre seus diretores clínicos estão Francisco de Assis Cury de 1980 a 1983, Antonio Hélio Oliani de 1983 a 1984, Newton Antonio Bordin Junior de 1984 a 1987, Elisabete Liso de 1987 a 1989, Moacir Alves Borges de 1989 a 1991, Kassim Mohamede Kassim Hussain de 1991 a 1996, Delzi Vinha Nunes Gôngora, Jorge Fares, Ana Luiza de Arnaldo Silva Rodriguez, Jorge Dib, Alceu Choeiri e seu atual diretor clínico é Renato Ferreira da Silva, desde abril de 2021.


Fonte:http://quemfazhistoria.com.br

 

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