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IPA

I - São José do Rio Preto-SP, São José do Rio Preto-SP12 de abril de 2022Lele

A bela entrada do IPA. em fotografia de Jocelino Soares, de 8/11/2004

Instituto Penal Agrícola
Em 1944 o governador (interventor federal) Fernando Costa desapropriou uma área de 600 alqueires em São José do Rio Preto para a construção e funcionamento da Escola Prática de Agricultura – EPA. A construção foi iniciada, mas logo o governo estadual perde o interesse na instalação da escola. Em abril de 1950, o governador Adhemar de Barros envia à Assembleia Legislativa projeto de lei solicitando autorização para vender os 600 alqueires da EPA para imigrantes. A Câmara Municipal de Rio Preto reagiu com protestos, com o vereador Alberto Andaló liderando o protesto, exigindo a construção de um aeroporto e da escola no local.
Em 27 de março de 1951, o vereador Felippe Lacerda cobra na Câmara pressão política junto ao novo governador, Lucas Nogueira Garcez, a conclusão das obras da EPA. Lacerda ressalta que “desde 1948 esta Casa vem solicitando o término desta obra”. Foi aparteado pelo vereador João Mangini que informa que a escola “está em construção”. Dois meses depois, no maio, a imprensa anuncia que a EPA vai virar penitenciária. A cidade reage contra. Em 15 de maio de 1951 o vereador Felippe Lacerda sugere a formação de uma comissão especial, integrada até pelo prefeito Cenobelino de Barros Serra, para ir ao governador Lucas Garcez e impedir que a escola seja transformada em penitenciária. Dias depois, em 11 de setembro, o vereador Lacerda volta a alertar a Câmara Municipal informando que a Secretaria de Viação e Obras Pública do Estado havia aberto uma concorrência para adaptação do edifício da EPA em penitenciária agrícola. Lacerda quer participação da Câmara contra a iniciativa do governo estadual, mas o vereador Bady Bassitt sugere que se acione o já então deputado Cenobelino de Barros Serra, na Assembleia Legislativa. Poucos dias depois, em 22 de setembro, o governador Lucas Garcez visita a cidade e recebe uma comissão de vereadores, encabeçada por Bady Bassitt, para discutir a situação das obras da EPA. A comissão mostra que a cidade é contra a sua transformação em penitenciária agrícola. O governador promete pensar nos desejos dos rio-pretenses e acalma os ânimos dos mais exaltados.
Em março de 1952, é a vez do vereador Aloysio Nunes denunciar na Câmara que tem informações concretas de que a EPA está sendo construída para abrigar uma penitenciária, mas é aparteado pelo colega Francisco Felipe Caputo que diz que a penitenciária será construída em Gonzaga de Campos. Em 26 de março de 1955, a Associação Rural, presidida por Luiz Duarte da Silva, inicia campanha pública contra a transformação da EPA em Instituto Penal Agrícola – IPA. Um mês depois, em 19 de abril, o deputado Bady Bassitt denuncia na Câmara que a transformação da EPA em IPA é um ato de represália de Jânio Quadros por ter perdido para Adhemar de Barros em Rio Preto na eleição para governador. Dias depois, em 3 de maio, a Câmara aprova moção do vereador José Jorge Cury contra a instalação do IPA, com os votos contrários dos vereadores Daud Jorge Simão, Orvásio Rossi Tancredi e Antônio Damas.
Criado sob protesto da cidade, o IPA recebeu no dia 18 de julho de 1955 os primeiros 30 presos (reeducandos) enviados de São Paulo em dois ônibus da CMTC. O primeiro diretor do IPA foi o promotor público Javert de Andrade, um dos mais ardorosos defensores do regime semiaberto que acabou por ser assassinado em 2 de agosto de 1961 pelo preso-reeducando João Pereira Lima. O IPA foi desativado no final de dezembro de 2010.
Foram diretores do IPA, Javert de Andrade de 1955 a 1961, Rubens Cardoso Machado de 1961 a 1979, Ibrahim Nelson Bento Lutaif 3 de agosto a 23 de novembro de 1979, Geraldo Marini de 1980 a 1983, Armando Casseb de 1983 a 1999, Rubens Camilo Moraes a partir de 1999 e depois Ademir Panciera.


Fonte: www.quemfazhistoria.com.br; 

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