
O Éden Parque, principal casa de diversão e espetáculos da cidade entre 1912 e 1926. Foto de Theodoro Demonte publicada na página 748 do Álbum Ilustrado da Comarca de Rio Preto, em 1929
A Empreza Cinematographica Éden Parque foi uma casa de espetáculos, com cinema e bar, inaugurada em 24 de março de 1912, por Paschoal Bevilacqua, cuja construção foi iniciada em setembro de 1911, localizada entre as ruas Rubião Júnior, Antônio Olympio (Voluntários de São Paulo), Bernardino de Campos e Sete de Setembro (Delegado Pinto de Toledo). Em 1919, o Éden Parque ainda tinha um botequim e um pavilhão para apresentação de “fitas cinematographicas”. E nele funcionava a grande atração daqueles tempos: um rinque de patinação, que foi a verdadeira coqueluche da época.
Em 1 de junho de 1921, o advogado e ex-prefeito Léo Lerro adquiriu o Eden Parque. Logo após efetuar a compra, ele entrou com pedido junto à Câmara Municipal para estender a isenção de impostos concedida ao Éden Parque para terceiros, arrendatários ou adquirentes, por 15 anos. O Éden havia obtido essa isenção em 6 de junho de 1919, através da lei 362, quando Lerro era vereador. A Câmara atendeu seu pedido e logo no dia seguinte, em 2 de junho de 1921, o prefeito em exercício Neca Medeiros assinou a lei nº 12, mantendo os privilégios para Lerro e estendendo-os para terceiros. Dias depois, o Éden Parque foi vendido para Gaudêncio Maia. Em 16 de outubro de 1925, quatro anos depois, Gaudêncio Maia pede à Câmara isenção de impostos e outros favores para construir um teatro ao lado do cinema, dentro do terreno do Éden Parque.
No dia 24 de março de 1926, por iniciativa do vereador Nelson da Veiga, a Câmara Municipal revogou as leis nº 362, de 1919, e nº 12, de 1921, que davam isenção de impostos para o Éden Parque. Uma emenda de Victor Brito Bastos deixou isenta de impostos apenas a tipografia do Éden Parque enquanto fosse o “orgam official” (órgão oficial), isto é, o jornal que publicava os atos da Prefeitura e da Câmara. Tratava-se, na verdade, de uma vingança política: Gaudêncio Maia havia montado uma tipografia porque havia comprado o jornal O Município, que fazia concorrência com o jornal A Notícia, de propriedade de Nelson da Veiga. A vingança política e econômica era tão evidente que na mesma sessão em que foram cassados os privilégios do Éden Parque, a Câmara aprovou isenção de impostos por dez anos para José Maria de Oliveira Casaca instalar um parque de diversões na Boa Vista. Gaudêncio Maia ainda tentou salvar seu empreendimento e no dia 5 de maio de 1926, foi à Câmara para pedir ponderação na revogação das leis que isentavam o Éden Parque, apresentando como compensação uma planta para construção e ajardinamento de parte do terreno. Mas seu empreendimento estava fadado a desaparecer inexoravelmente.
Fonte: www.quemfazhistoria.com.br; atas da câmara municipal