O café foi uma das principais culturas agrícolas do extenso território de Rio Preto durante a sua formação econômica, a partir de 1890. Os primeiros plantadores de café na região foram Martinho Isidoro Gonçalves, na Fazenda Borá, e Bernardino Canuto Ribeiro, na Fazenda Alegria. No dia 31 de janeiro de 1879, Bernardino contratou o arrendamento de 75 braças quadradas* para plantio de café nas terras de Vitalino Martins Teixeira, na Fazenda Alegria, por 400$000 (quatrocentos mil réis) e pelo prazo de três anos. Os cafezais foram dizimados pelas geadas.
Em 1898, o Município tinha 250 mil pés de café em produção e 700 mil pés em formação e produziu 10 mil arrobas (150 mil quilos). Essa quantidade foi repetida em 1899. Dois anos depois, em 1901, uma crise abateu-se sobre o setor cafeeiro fazendo a Câmara Municipal suspender a cobrança de impostos sobre café no dia 1 de junho. Mas o cafeicultor e dez anos mais tarde, em 1912 foram embarcados nos vagões da Estrada de Ferro Araraquara – EFA 65.491 quilos de café limpo; este número saltou para 181.550 quilos em 1913, crescendo quase três vezes.
A produção aumentou tanto que, em 1916, a EFA registrou o embarque de 1.098.866 quilos, chegou em 1921 com 3.689.672 quilos em 1921 e 15.545.528 quilos em 1927. Entre 20 de dezembro de 1937 a 14 de janeiro de 1938, sob as vistas de John Souterland, chefe do Serviço de Queimada do governo, foram queimadas em São José Rio Preto 60 mil sacas de café.
Em que pese a queima do café, em 1 de abril de 1937 o Departamento Nacional do Café requereu a doação de um terreno com área mínima de um alqueire para construir armazéns para o Instituto Brasileiro do Café – IBC. O prefeito Victor Brito Bastos encaminhou o pedido à Câmara Municipal que, sete meses depois, foi destituída pelo Golpe do Estado Novo.
Os armazéns do IBC só foram construídos em Rio Preto no início dos anos de 1960, após o prefeito Valdomiro Lopes da Silva comprar, em novembro de 1050, um terreno de Antonio Lopes dos Santos, no Parque Industrial, e fazer a doação ao IBC. Estes armazéns e a área foram devolvidos para a Prefeitura em 1993, três anos após a sua desativação pelo presidente Fernando Collor de Mello.
*Cada braça equivale a 2 metros e 20 centímetros.
Fonte: www.quemfazhistoria.com.br