
Capa do Álbum de Rio Preto em sua segunda edição, em 2010
O Álbum de Rio Preto foi primeiro livro sobre a história de São José do Rio Preto, elaborado pelo dentista Raul Silva e o advogado Fernando Oiticica Lins. Essa publicação circulou após 15 de maio de 1919 e cometeu logo de entrada uma infelicidade: um erro de impressão, sem correção, na página 5, ao publicar uma foto do escrivão interino do Primeiro Tabelionato, Firmo de Carvalho, como sendo a foto de João Bernardino de Seixas Ribeiro. E, lá na página 55, aparece a foto de João Bernardino como sendo a de Firmo. Um pesquisador apressado poderia ser enganado com a troca de fotos e legendas.
De resto, o Álbum é um precioso documento histórico. Esse não é apenas o livro pioneiro sobre a história de São José do Rio Preto, é, na verdade, o primeiro livro da cidade. Trata-se de um documento inestimável. Oiticica Lins desenvolve sua própria versão a respeito da fundação de Rio Preto e declara, taxativamente, que o fundador da cidade e doador do patrimônio de São José foi o mineiro Antônio de Carvalho e Silva.
Escrevendo 20 anos depois, portanto bem próximo dos fatos, Lins afirma que em 1898 todo o vasto município de Rio Preto, com mais de 24.000 quilômetros quadrados, tinha em torno de 15 mil habitantes e que a vila urbana tinha cerca de 120 fogos (casas) e cerca de mil moradores. Esse Álbum contou com vários colaboradores, como Sebastião de Toledo, Annita V. De Rezende, Clóvis Botelho Vieira — escrevendo sobre o presidente norte-americano Woodrow Wilson —, Caetano H.M. de Almeida, Rizoleta Góes, e traz um conto de Michel Zamarois com título de “O Zephiro” (adaptado por Caetano de Almeida) e poesias de José Joaquim da Silva, José Amâncio e Cândido Brasil Estrella (que publica várias poesias, inclusive uma dedicada à sua noiva). O Álbum publica a lista telefônica de 1919 e a relação dos estabelecimentos comerciais e industriais de Rio Preto e seus distritos e povoados: Engenheiro Schmitt, Mirassol, Cedral, Ribeirão Claro (Guapiaçu), Três Córregos (Potirendaba), Ignacio Uchoa, Ibirá, Nova Granada, Tanaby, Itapirema (que não é Nova Itapirema), São Gerônymo, Cerradão (José Bonifácio) e Monte Aprazível.
Segundo o Álbum, a sede do Município tinha sete médicos, seis dentistas, 26 advogados, quatro engenheiros agrônomos, sete engenheiros civis, um engenheiro eletricista e mecânico, um agrimensor, cinco guarda-livros, cinco farmácias, oito hotéis, duas hospedarias, sete máquinas de beneficiar arroz e café, uma fábrica de gelo, um curtume, duas serrarias a vapor, quatro fábricas de bebidas, quatro fabricantes de arreios, uma fábrica de instrumentos musicais, dois açougues, dois armeiros, nove alfaiatarias, 11 barbearias, seis botequins, seis bares e confeitarias, dois cinemas, uma cocheira, quatro lotéricas, uma fábrica de colchões, dois caldeireiros, uma costureira, oito ferreiros, uma fábrica de fogos, uma fábrica de veículos, duas casas de frutas, um folheiro, seis fabricantes de móveis, duas relojoarias e quatro ourivesarias, um fotógrafo, cinco padarias, duas tipografias, uma torrefadora de café, 14 sapatarias, uma construtora, três depósitos de madeira e 112 estabelecimentos de secos e molhados, armarinhos e lojas de roupas, louças e miudezas.
Em 2010, o Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de São José do Rio Preto, sob a presidência de Antonio Arantes Neto (Lelé Arantes) e apoio da Secretaria Municipal de Cultura, dirigida por Pedro Ganga, do prefeito Edinho Araújo e da FAPERP, promoveu a segunda edição do Álbum de Rio Preto para comemorar e registrar os 100 anos de sua publicação.
Fonte:http://quemfazhistoria.com.br