A historia do Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE, atual campi da Universidade Estadual Paulista Júlio de Mesquita Filho – UNESP teve início no segundo semestre de 1949, o deputado estadual Sidney Delcides de Ávila apresentou projeto de lei na Assembleia Legislativa propondo a criação de uma Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras em Rio Preto, mas a iniciativa não vingou. Dois anos depois, em 23 de outubro de 1951, o vereador João Mangini cobrou da Assembleia Legislativa informações sobre o projeto de Ávila, cuja proposta vinculava a futura faculdade à Universidade de São Paulo – USP. A grande necessidade de uma instituição de ensino superior em São José do Rio Preto levou o professor e vereador Daud Jorge Simão a retomar, em 12 de abril de 1955 o projeto da faculdade, agora sob a denominação de Universidade Municipal. Ele entendia que a cidade devia instalar a faculdade e depois negociar politicamente a encampação com o governo estadual. Um mês depois, em 24 de maio de 1955, a Câmara Municipal aprovou o seu projeto de lei nº 30/55, criando da Universidade Municipal. Para a aprovação do projeto, o vereador Daud promoveu um grande movimento popular, buscando o apoio de várias entidades e dos estudantes da cidade. Foram nove votos a favor e seis contra. Votaram a favor da universidade os vereadores Benedito Rodrigues Lisboa, Daud Jorge Simão, Domingos Sinibaldi, Francisco Gutierrez, José Felício Miziara, Orlando de Arruda Barbato, Orvásio Tancredi, Antônio Damas e Arthur Nonato. E contra votaram Fábio Marcondes Homem de Melo, Hélio Negrelli, José Jorge Cury, Sylvio Calabrezzi, Hatim Salim e Odilon Elias Ismael. Ainda em 1955, o prefeito Philadelpho Gouveia Neto sancionou a lei criando a Universidade Municipal, possibilitando a criação de um Conselho Geral que, em junho de 1955, deu início a trabalho político pela instalação da Faculdade de Filosofia.
Em março de 1956, já na administração do prefeito Alberto Andaló, o professor Raphael Grisi, da Universidade de São Paulo, foi encarregado de instalar a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras – FAFI, dentro do Projeto da Universidade Municipal. Em 28 de agosto de 1956, o projeto de lei nº 60/56, do prefeito Andaló, criava os cargos de prefeito e funcionários da FAFI. Ainda naquele ano, o deputado estadual Aloysio Nunes Ferreira apresentou na Assembléia Legislativa um projeto de lei criando a Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Preto. Era a primeira tentativa de estadualização da FAFI. Em 12 de março de 1957, o deputado federal Ulisses Guimarães informava a Câmara Municipal de que o presidente Juscelino Kubitschek havia assinado o reconhecimento da FAFI, assinando em 27 de fevereiro de 1957, o decreto federal 41.061.
Em 10 de abril de 1957, foi realizada a instalação da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Rio Preto, ganhando a sigla FAFI. Solenidade de gala foi realizada no Cine Teatro Rio Preto, pelo diretor Raphael Grisi, que trouxe o vice-reitor da USP, Eurípedes Simões de Paula, para a aula inaugural. A FAFI foi instalada oferecendo os cursos de História Natural, Pedagogia, Letras Neolatinas e Anglo-Germânicas. A Universidade Municipal, ideia de Daud Jorge Simão, tinha como ponto de partida a FAFI. Em 10 de maior de 1957, foi sancionada a lei estadual nº 3884 que transformou a FAFI em Instituto Isolado do Sistema Estadual de Ensino Superior como Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras. Em abril de 1958, com a consolidação da faculdade, iniciou-se na Câmara Municipal um movimento político pela encampação da FAFI pelo Estado. Os custos de manutenção da faculdade eram altos para o Município. Uma moção da Câmara, encabeçada pelo presidente José Jorge Cury refletia essa preocupação. No dia 24 de junho de 1958, o prefeito Alberto Andaló enviou à Câmara o projeto de lei 31/58, doando o patrimônio da FAFI ao Estado, facilitando o processo de encampação. No mesmo dia, o vereador Daud Jorge Simão declarou na tribuna da Câmara que a consolidação da FAFI era “uma homenagem ao Dr. Synésio de Mello e Oliveira, que foi um baluarte na sua criação”.
Em 13 de janeiro de 1959, outra lei estadual, a de nº 5.177, fez a aquisição, mediante doação, do patrimônio da FAFI e, vinte dias depois, em 3 de fevereiro, Câmara Municipal aprovou empréstimo de CR$ 1,3 milhão pela Prefeitura para repassar à Universidade Municipal, comprovando a dificuldade financeira na manutenção da FAFI. Em 18 de março de 1960, compareceram à Câmara Municipal o prefeito Philadelpho Gouveia Neto (em seu segundo mandato), o diretor da FAFI, Raphael Grisi, e o vice-diretor Celso Abbade Mourão, para debater com os vereadores o projeto de lei que autorizava a Prefeitura a comprar um conjunto de prédios da Associação Espírita Allan Kardec, construído em terreno de propriedade de Lotf João Bassitt, na rua General Glicério, por CR$ 13 milhões, para serem doados à FAFI.
Durante o regime militar de 1964, a FAFI foi denunciada como um “celeiro de comunistas” e vários professores foram presos e perseguidos pela repressão militar e 11 deles foram expulsos da faculdade, tendo seu direito político cassado; alguns se exilaram no exterior, como Wilson Cantoni que foi para o Chile e Suécia e, de lá foi enviada pela UNESCO para a Costa Rica, onde instalou a Universidade de San José. Alunos também foram perseguidos e presos, como Pedro Bonilha Regueira, presidente do centro acadêmico, e Newton Ramos de Oliveira. Para a dirigir a faculdade, os líderes do movimento militar colocaram o juiz de Direito, José de Castro Duarte. No início de janeiro de 1970, foi comprado da Diocese de Rio Preto o terreno com 7,5 alqueires e o prédio do seminário que passou a abrigar a FAFI.
Finalmente, a partir de 30 de janeiro de 1976, a FAFI passou a integrar a Universidade Estadual Paulista “Júlio de Mesquita Filho” – UNESP com a denominação de Instituto de Biociências, Letras e Ciências Exatas – IBILCE. Foram seus diretores Raphael Grisi de 1957 a 1962, João Dias da Silveira de 1962 a 1964, José de Castro Duarte de 1964 a 1967, Michel Pedro Sawaya de 1967 a 1971, Celso Volpe de 1971 a 1975, Fahad Moysés Arid de 1975 a 1979, Aziz Nacib Ab’Saber de 1979 a 1983, Alfredo Leme Coelho de Carvalho de 1983 a 1986, Antônio Espada Filho de 1986 a 1990, Paulo César Naoum de 1990 a 1994, Wilson Maurício Tadini de 1994 a 1998, Eurípedes Alves da Silva de 1998 a 1999, Maria Dalva da Silva Pagotto de 1999 a 2003, Johnny Rizzieri Olivieri, de 2003 a 2007, Carlos Roberto Ceron de 2007 a 2011, José Roberto Ruggiero de 2011 a 2015, Maria Tercília Vilela Azeredo de Oliveira de 2015 a 2019 e Julio Cesar Torres a partir de 2019.
Fonte: www.quemfazhistória.com.br; https://unorp.br/