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Estádio Victor Britto Batos

E - São José do Rio Preto-SP, São José do Rio Preto-SP25 de agosto de 2021Lele

No dia 9 de dezembro de 1932, às 21 horas, na sede da Associação Comercial – Acia, atual ACIRP, foi realizada assembleia geral extraordinária convocada pela diretoria do Rio Preto EC para aprovação de um empréstimo de 20 contos de réis e um plano de ação para conclusão das obras do seu estádio, segundo reportagem de A Notícia. O plano proposto pelo presidente Paulo Marcos dos Santos, previa a construção de arquibancadas para 1.500 pessoas, bares, camarins para os jogadores com chuveiros e aparelhos sanitários para os esportistas e o público. Em volta do gramado previa-se uma pista de 4 metros de largura para a prática de atletismo com 340 metros de cumprimento. O projeto também previa duas quadras de tênis, um “campo para bola ao cesto” e “opportunamente (…) uma piscina”. Nesta época estava em construção o muro do estádio, espaço que se usuaria para publicidade.
Além do empréstimo, a diretoria reformou o estatuto para aumentar o número de sócios, realizando vários eventos para angariar recursos. Um dos eventos foi um jogo de futebol humorístico no estádio em construção no terreno doado por Victor Brito Bastos, no quarteirão formado pelas ruas Penita, Voluntários de São Paulo, Cila e Bernardino de Campos. O jogo foi organizado entre Verde e Branco para o dia 9 de abril de 1933. Na equipe Verde: Arlindo Camarero, Oscar Salgado, Fuad Chaim Homsi, Walter Camarero, Rômulo Marchezan, Manoel Taques, Adib Homsi, Oscar Rosencrantz, Paulo Marcos dos Santos, Florindo Mani e Gerson Ferraz. O Branco com Laurista Costa, Benedicto Viviani, Darcy Pinto, Clodulpho Selmann, Mauro Penafirme, Pergio Bertollini, Paulo Taves, Waldir Rodrigues, Quinzinho Vianna, Zurich Oliva e Piloto. Na reserva estavam Sabino, Munia, Amadeu Fava, Sebastião Cruz, Toledinho e Camillo Adra. Para apitar o jogo, Gabriel Camarero “juiz official e muito conhecido no esporte internacional”, brincou o jornalista. Cronometristas: Ângelo Soares e Benedicto Duarte; enfermeiros: Drogaria Paulista e Drogaria Orion; cronistas esportivos: dr. Syllos de Noronha, de A Notícia, e dr. Felippe de Lacerda, do Oeste Paulista; manutenção da ordem: Pedro Paes de Almeida e Sylvio Silva; policiamento: Destacamento local sob o comando do tenente Severino Ferreira; massagista: Ângelo Romano; juízes de linha: Miguelzinho e Libório. Senhoras e senhoritas não pagam ingresso.
Antes de qualquer obra, o estádio precisava construir sua arquibancada de madeira. Paulo Marcos, que sucedeu Raul Silva, em 1932, deixou a presidência no início de 1933, assumindo o médico Edmundo Cabral Bortelho com a promessa de concluir as obras. Entre 13 e 20 de agosto de 1933, um grupo de mulheres realizou a Semana Pró-Rio Preto, realizando quermesses nas praças Rio Branco (defronte o 1º Grupo Escolar) e Rui Barbosa para arrecadar fundos para as obras do estádio. As “patronesses” da festa foram as senhoritas Ottilia dos Reis Araújo, Élida Belchior e Nely Novaes juntamente com Olga Scaff, Maria Conceição Lisboa, Anysio Tambury, Josepha Tambury, Elza Ferreira, Cecy Gonçalves, Zelinda Mattozinho, Letícia Nunes Ferreira, Zenaide Nunes Ferreira, Zoraide Ferrarezi, Enyd Gomyde, Maria Apparecida Mesquita, Abbadia Domingues, Carmen Exposito, Jasmin Cury, Elisa Busse, Maria Hilda Busse, Rosina Cal, Iria Galeazzi, Edvânia Galeazzi, Eda Montoro, Maria Alba Montoro e Iracema Góes.
Mas, não só as senhoritas estavam à frente dos festejos. As senhoras, como Avelina Diniz, Gertrudes do Amaral França, Adda Taves, Alice Baldy, Chiquinha Soares, Helena Delboni, Alzira Rollemberg, Ida Verdi, Zita Ewbank, Helena Homsi, Mafalda Bonfá, Edna Lerro e outras cuidavam das barracas. No porgrama cultural os jovens fizeram conferências, cantos, anedotas, bailados, declamações com destaque para Tito Vianna, Yolanda Aranha, Valentina Arruda, Julieta Guerrini, Radamés Bertelini, Florindo Mani, Joaquim Santos, Edmo Botelho, Mariasinha Gomes, Temer Nasser e o poeta Antonio Marzo.
Enquanto as obras se arrastavam, o time jogava no estádio, como em 3 de julho de 1933, quando recebeu o time da AA Americana, de Catanduva e, em 17 de setembro, também 1933, recepcionou o Barretos FC. Em dezembro de 1933, o clube contratou José Zanirato e Luiz Ceron para fazer as arquibancadas do estádio e, em 10 de março de 1934, os dois empreiteiros oferecem um “chopp” aos diretores para apresentar as obras e anunciar a entrega em vinte dias. Finalmente, em 6 de maio de 1934, as arquibancadas foram inauguradas e, com isso, foi considerado oficialmente inaugurado o Estádio Victor Britto Bastos — o “Estadio da Villa Redemptora” — em jogo contra o Paulista FC, de Araraquara, que terminou empatado em 1 x 1. O time do Rio Preto formou-se com Pedrinho, Bazzani, Libório, Nemésio, Armando, Fábio, Mário, Xaxá, Tigre, Gallinhaço e Carabina. O Paulista jogou com Namdim (Dim), Saavedra, Monte, Armando, Clarim, Pim, Romeuzinho, Toledo, Nico, Herculano e Romeu. Os gols foram marcados por Xaxá e Pim. O árbitro foi Darcy Camarero.
O estádio foi desativado em 1965, quando a diretoria do Rio Preto vendeu o terreno e adquiriu outro, na Vila Universitária, na avenida Anísio Haddad, onde construiu o atual Estádio Anísio Haddad.


Fonte:http://quemfazhistoria.com.br

 

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